SAÚDE DO HOMEM TRANS E PESSOAS TRANSMASCULINAS

Texto da Cartilha Homem Trans – Sem as Ilustrações

SAÚDE DO HOMEM TRANS E PESSOAS TRANSMASCULINAS

Rede Nacional de Pessoas Trans – Brasil

Organização Geral: Núcleo de Homens Trans da Rede Trans Brasil

Colaboradores:

Texto: Cauã Cintra, Rafael Carmo, Flávia Siqueira Cunha, Luca Ferreira e Julian Chiba.

Ilustrações: Rafael Carmo, Danillo Azevedo, Luca Ferreira, Dóris Rocha, Isabela Azevedo, Maiara Malato e July Silva.

Revisão: Nicolas Dias, Rafael Carmo, Cauã Cintra e Julian Chiba. Diagramação: Luca Ferreira.

Distribuição: Este material é gratuito e sua reprodução (total ou parcial) é permitida, desde que citada a referência.

Acesse: redetransbrasil.org.br

Sumário

APRESENTAÇÃO

1 – IDENTIDADE DE GÊNERO X ORIENTAÇÃO SEXUAL

 1.1 Identidade de Gênero

 1.2 Transexual/Transgênero x Cisgênero

 1.3 Orientação sexual

 1.3.1 Homossexual

 1.3.2 Heterossexual

 1.3.3 Bissexual

2 – HOMEM TRANS E TRANSMASCULINIDADES

 2.1 Quem são?

 2.2 Binder

 2.3 Packer

 2.4 Pump

 2.5 Minoxidil

3 – APARELHO REPRODUTIVO

 3.1 Fertilidade e funcionamento sexual

4 – HORMÔNIOS

 4.1 Transição não supervisionada

 4.2 Terapia hormonal com testosterona

 4.3 Efeitos da Testosterona

 4.4 Exames preventivos

 4.5 Riscos da Terapia Hormonal

 4.6 Critérios para Terapia Hormonal

5 – CIRURGIAS DE AFIRMAÇÃO DE GÊNERO

 5.1 Cirurgias Disponíveis

 5.2 Complicações Cirúrgicas

6 – PREVENÇÃO DO HIV/AIDS, HEPATITES VIRAIS, HPV E OUTRAS IST.

 6.1 Como se prevenir das IST

 6.2 PrEP

 6.3 PEP

 6.4 Transmissão vertical

7 – LOCAIS QUE OFERTAM OS SERVIÇOS AMBULATORIAIS E CIRÚRGICOS PELO SUS.

8 – REFERÊNCIAS

Apresentação

A palavra núcleo provém do latim e significa parte central, independentemente do tipo que se refere, o núcleo é sempre uma estrutura de grande importância, pois nele se localiza geralmente a informação ou os elementos mais importantes da estrutura maior, é assim que funciona o Núcleo de Homens Trans da Rede Trans Brasil uma estrutura independente dentro da estrutura maior coleva, o que nos propicia ter autonomia própria nas discussões especificas do gênero masculino, respeito e igualdade nas discussões colevas sobre identidade de gênero e transexualidade.

O Núcleo de Homens Trans surgiu a partir da necessidade de se ganhar uma maior visibilidade para essa população, e de ter um movimento mais organizado para que se possa discutir demandas específicas da população de homens trans, dessa forma o movimento do gênero masculino da Rede Trans se consolidou.

A Rede Nacional de Pessoas Trans do Brasil– REDETRANS teve sua fundação e registro no ano de 2009 na cidade do Rio de Janeiro, instituição nacional que representa as pessoas Travestis e Transexuais do Brasil. A Rede Trans Brasil coloca-se como instrumento de expressão da luta pela garantia dos direitos humanos e cidadania plena de Travestis e Transexuais masculinos e femininos contra quaisquer formas de discriminação, além de priorizar o fortalecimento de políticas públicas governamentais nas três esferas e a garantia de uma legislação a mesmo nível que ampare nossa comunidade.

Esta cartilha é parte complementar de um projeto idealizado pelos membros do Núcleo de Homens Trans da Rede Trans Brasil como resultado dos Workshops Regionais e Nacionais dos anos de 2016 e 2017. O intuito deste material é ser amplo e didático tendo como objetivo ser compartilhado com as diversas Organizações Governamentais, Não Governamentais, e principalmente, a população de homens trans e pessoas transmasculinas, no sendo de contribuir no empoderamento desses militantes e não militantes sobre a sua própria saúde e direitos, para que assim possamos alcançar a ampliação da cidadania dessas pessoas e fomentar os debates de enfrentamento a Transfobia.

Nós só iremos mudar a realidade de homens trans e pessoas transmasculinas quando ampliarmos nossos horizontes (ou seja, os nossos conhecimentos) e debates em todos lugares de convívio social. Portanto, fortalecer, prevenir, informar e cuidar dessa população é fundamental. Este material é só o pontapé desse processo. Confiantes de que irão se apropriar dos conhecimentos aqui compartilhados e, com isso, virarem protagonistas de suas próprias histórias.

Identidade de gênero & Orientação sexual

O primeiro passo é diferenciar a identidade de gênero da orientação sexual. Enquanto a primeira se refere como a pessoa se identifica, a segunda está relacionada com quem a pessoa se envolve afetiva e/ou sexualmente.

Identidade de Gênero

Refere-se ao gênero que a pessoa se vê, se sente e se autoidentifica pertencer socialmente (homem, mulher ou não-binário*), que pode ou não equivaler ao sexo atribuído no nascimento. Ou seja, é a percepção que o indivíduo tem de si próprio, uma condição íntima e individual de cada ser, incluindo a liberdade de seu próprio corpo. É a certeza de pertencer ao gênero masculino (homem) ou feminino (mulher), ou a alguma combinação que não se encontra nessa binariedade.

*Entende-se como não-binário a pessoa que possui uma identidade de gênero que não é exclusivamente masculina nem feminina.

Trans ou Travesti

São pessoas que têm uma identidade de gênero que não condiz com a do sexo atribuído ao nascer. Algumas delas podem sentir a necessidade de modificar a aparência por meio de intervenções cirúrgicas e outros métodos que readéquem seu corpo com a sua imagem psicológica. Elas ultrapassam as convenções definidas a partir da anatomia e sexualidade imposta pela sociedade.

Cis ou Cisgênero

São pessoas que se identificam com o gênero que lhes foi atribuído em seu nascimento. Por exemplo, uma menina/mulher é identificada ao nascer pelos médicos sendo pertencente a esse gênero devido ao seu órgão genital, e se ela não se opuser a isso quando ver sua conscientização social formada, e permanecer com o gênero feminino, então teremos uma mulher cisgênero (o mesmo vale para os homens cis).

Orientação Sexual

É para onde o nosso desejo está direcionado, ou seja, é a maneira que uma pessoa sente atração e/ou relação emocional, afetiva ou sexual pelo outro. É a forma com que nos relacionamos com indivíduos de gênero diferente ou do mesmo gênero que o nosso. Basicamente, há três orientações sexuais preponderantes.

Homossexual

Pessoa que sente atração e/ou se relaciona com pessoa do mesmo gênero. Portanto, os homens trans podem ser gays, se seu desejo estiver apontado para outros homens, sejam eles trans ou cis;

Heterossexual

Pessoa que sente atração e/ou se relaciona com pessoa do gênero oposto. Nesse caso, um homem trans que tem seu desejo direcionado a alguém do gênero feminino, sejam elas mulheres trans, travesti ou cis.

Bissexual

Pessoa que sente atração e/ou se relaciona com ambos os gêneros. Ou seja, um homem trans que dirige sua atração tanto para homens (trans ou cis) quanto para mulheres (trans, travestis ou cis).

É importante lembrar que existem outras orientações sexuais que não foram abordadas aqui como, por exemplo, a pansexualidade, assexualidade e entre outras.

Homem Trans e Transmasculinidades

Quem são?

O homem trans é o indivíduo que ao nascer, por critérios biológicos, foi designado ao sexo feminino, porém no decorrer da sua vida se identifica com o gênero masculino. Ao entender gênero há a percepção de que masculinidade não se resume apenas ao ser homem, a masculinidade também é atribuída a outras identidades que fogem do espectro binário*, por isso usado o termo ‘transmasculinidades’, para abranger o maior número de identidades com expressões masculinas que comungam em suas vivências.

O termo binário se consiste na classificação de duas formas distintas de gênero; homem e mulher.

Algumas Tecnologias

Cada indivíduo possui uma percepção de seu próprio corpo e de como pode se sentir melhor com ele mesmo, a partir disso, com o tempo tecnologias, produtos e acessórios foram aderidos para maior conforto do homem trans e pessoas transmasculinas, usados de acordo com suas necessidades.

Vale lembrar que as necessidades não são iguais para todos os homens trans e transmasculinos.

Binder

Faixa ou colete de compressão com material elástico, usados exclusivamente para comprimir as mamas, com o intuito de disfarçar, deixando o tórax em um molde masculinizado. O binder usado de forma errada pode afetar em um futuro resultado cirúrgico e causar danos leves e graves à saúde da mama e em órgãos que se encontram na região do tórax. Pode causar danos em pequenos vasos e lesão tecidual, colapso pulmonar, problemas de coluna, diminuição da elasticidade da pele, baixo fluxo sanguíneo, dentre outros efeitos.

Packer

Prótese peniana feita em silicone ou cyber skin imitando textura e cor de pele. O packer tem três funções básicas: Auxiliar no sexo; facilitar nas necessidades fisiológicas, especificamente auxiliando a urinar em pé; fazer volume genital.

O packer não é uma prótese permanente, é colocado somente na hora do uso e retirada após o uso de qualquer função. Deve ser usado com atenção a higienização pelo contato direto com genital.

Pump

Ferramenta que utiliza o vácuo para aumentar o tamanho e espessura do clitóris. O uso do pump é recomendado à garotos que desejam realizar a cirurgia de genitalização (metoidioplasa) ou que queiram apenas alongar o órgão. Em alguns casos os resultados podem gerar uma boa penetração.

O pump tem sua versão pronta comercializada e sua versão caseira.

Pump Caseiro

Modo de fazer: 1 – Pegar uma seringa de 20ml ou 60ml; 2 – Corte a ponta da seringa; 3 – Inverta o êmbolo da seringa.

Modo de usar: 1 – Colocar o pump no clítoris; 2 – Fazer a sucção por 30 segundos; 3 – Retirar o pump do clítoris e esperar 1 min antes da próxima sucção; 4 – Repetir mais 10 vezes.

Minoxidril

Produto utilizado de forma tóp ica para estimular o crescimento de pelos faciais e tratamento contra calvície e queda de cabelos e outros problemas como falta e fraqueza dos pelos. O Minoxidil é uma substância vasodilatadora, ou seja, auxilia no processo de dilatação dos vasos sanguíneos dos folículos capilares aumentando a oxigenação no local aplicado e tendo como consequência o crescimento saudável do pelo.

Anatomia Reprodutiva

Imagens de 1- Clitóris 2- Uretra 3- Lábios menores 4- Vagina 5- Lábios maiores 6- Capuz Clitoriano 7- Freio 8- Glande 9- Crura (interno)

A anatomia exterior de um corpo com ovários inclui a vagina, os pequenos e grandes lábios e o clitóris. A vagina é o canal que leva para o interior do corpo e é localizada abaixo da pequena abertura por onde a urina é liberada, que se chama uretra. O clitóris possui a parte não visível, que é a interna e a parte visível, que é a externa. A função principal do clitóris é proporcionar prazer através do estimulo sexual.

Fertilidade e Funcionamento sexual

Tanto os hormônios quanto as cirurgias podem e vão afetar o funcionamento sexual, reprodutivo e fértil. Se caso não tenha seu sistema reprodutivo cirurgicamente removido, você talvez ainda possa engravidar. A hormonização com Testosterona não previne nem evita a gravidez.

O ciclo menstrual é interrompido dentro de alguns meses com a utilização da testosterona, caso isso não ocorra, o seu medico deverá te indicar algum medicamento para que seja interrompida. Com o tempo sua fertilidade irá diminuir e consequentemente isso levará a atrofiação do aparelho reprodutor, causando a infertilidade. Muitos podem pausar a terapia hormonal com testosterona por um determinado tempo para que o sistema reprodutor volte a ser fértil e possa gerar um bebê novamente, mas isso só é possível caso o sistema ainda não tenha atrofiado totalmente. A utilização da testosterona causa o aumento na libido, que é o desejo sexual, isso é constatado na maioria das pessoas. Após muitos anos de uso da Testosterona, pode ocorrer atrofia vaginal, onde o revestimento da vagina afina, a lubrificação diminui e isso leva a dor ou desconforto durante a penetração. Para os que não procuram uma vaginectomia, os sintomas da atrofia de uma vagina intacta, pode ser tratada com um creme de estrogênio tópico, isso restaura a função de lubrificação natural. O uso de lubrificantes também pode auxiliar para aliviar a falta de lubrificação natural.

Nota: Objetos Sexuais de uso compartilhado entre parceiros podem resultar em IST ou outros problemas menores, porém irritantes, como Vaginose Bacteriana ou Infecções Fúngicas. Se certifique de limpar bem todo e qualquer objeto sexual com água quente ou como especificamente indicado.

Use preservativo em seu Packer

Terapia Hormonal

Transição Não Supervisionada

A dificuldade de acesso aos serviços de saúde, aliada à ansiedade em começar o tratamento de adequação sexual faz com que muitos homens trans iniciem o uso de hormônios por conta própria, muitas vezes orientados por colegas trans ou mesmo a través de informações coletadas na internet. Entretanto, é fundamental que seja realizada uma avaliação médica antes do início do tratamento hormonal, bem como um acompanhamento médico durante o uso de hormônios. O acompanhamento psicológico durante essa transição também é de extrema importância para que sejam trabalhadas questões de ansiedade e expectativas em relação aos reais efeitos da terapia hormonal.

Com T

O tratamento hormonal, quando indicado, é feito com administração de testosterona. As vias de administração de testosterona são: parenteral (injeção intramuscular) e transdérmica (gel ou solução alcoólica aplicados na pele). As medicações disponíveis no Brasil são:

 – Cipionato de testosterona (Deposteron® 100 mg/mL – ampola de 2mL): 1 ampola (200 mg), intramuscular, a cada 2 ou 3 semanas.

– Propionato de testosterona 30 mg + fempropionato de t e st o st e r o n a 6 0 m g + isocaproato de testosterona 60 mg + decanoato de t e s t o s t e r o n a 1 0 0 m g (Durateston® 250mg/mL – ampola de 1 mL): 1 ampola (250 mg), intramuscular, a cada 2 ou 3 semanas.

– Undecanoato de testosterona (Nebido® 250mg/mL – ampola de 4 mL): 1 ampola (1000 mg), intramuscular, a cada 3 meses.

– Gel de testosterona 1% (Androgel® 1% – envelope de 5g c o n t e n d o 5 0 m g d e testosterona): 1 envelope (50 mg), via transdérmica (nos ombros, braços ou abdome), uma vez ao dia.

– Testosterona solução tópica a 2% (Axeron® 30 mg em 1,5 mL da solução): 3 mL (60 mg), via transdérmica (na pele da axila), uma vez ao dia.

Efeitos da T

Observa-se, com o uso da testosterona, crescimento e engrossamento dos pelos faciais e corporais, aumento da massa muscular e da força, engrossamento da voz, aumento da oleosidade da pele e surgimento de acnes (espinhas), aumento do clitóris, interrupção das menstruações, redistribuição da gordura corporal com redução da gordura do quadril e coxas e aumento da deposição de gordura no abdome, havendo redução das curvas da cintura e quadril, atrofia do tecido mamário, tendência à calvície (perda de cabelos principalmente na região das têmporas e occipital) em indivíduos com predisposição genética, aumento da libido (desejo sexual) e da energia.

Exames preventivos

Durante o uso da testosterona, indica-se a realização de exames laboratoriais para avaliação do perfil hormonal, em especial através da dosagem da testosterona total. Esta deve estar dentro do limite considerado normal para o sexo masculino. Orienta-se também a realização de hemograma para avaliação do hematócrito, função renal, enzimas do gado, glicemia de jejum e perfil lipídico (colesterol e triglicerídeos). Exame de imagem das mamas (ultrassom ou mamografia), ultrassom pélvico e o exame preventivo de câncer de colo de útero (colpocitologia oncótica) também são indicados.

Riscos da Terapia Hormonal

Alguns sinais e sintomas observados com o tratamento androgênico em homens trans e pessoas transmasculinas devem ser acompanhados cuidadosamente, pois podem representar risco à saúde e bem-estar dos indivíduos. São eles: aumento da agressividade, infertilidade transitória ou permanente (é importante que se discuta com o homem trans sobre fertilidade antes do início do tratamento hormonal), aumento do hematócrito (células vermelhas do sangue), com risco de eventos tromboembólicos e cardiovasculares, aumento da pressão arterial, aumento do peso, alterações de colesterol e triglicerídeos, aumento das enzimas do gado (em doses fisiológicas, a testosterona não causa toxicidade do gado). Em relação ao risco de câncer, a testosterona não parece aumentar esse risco, mas como parte da testosterona é convertida para estrógeno, é importante monitorar neoplasias dependentes de estrógeno, como as neoplasias de mama, útero, ovário e vagina.

Critérios para Terapia Hormonal

Para o início da terapia hormonal no contexto do processo transexualizador, é necessário que o homem trans preencha determinados critérios:

– Incongruência de gênero bem documentada e persistente;

– Capacidade de dar consentimento (autorização) ao tratamento;

– Idade mínima de 18 anos;

-Adequado controle de patologias psiquiátricas, caso estas estejam presentes, descartando-se inclusive abuso de álcool e drogas.

Cirurgias de afirmação de Gênero

Cirurgias disponíveis

– Mamoplastia (Mastectomia): plástica das mamas com retirada do tecido glandular mamário; – Histerectomia + salpingoooforectomia bilateral + vaginectomia: retirada do útero, ovários, trompas e porção superior da vagina; – Masculinização da genitália externa: construção de neofalo (neopênis) ou técnica de retificação e alongamento do falus (clitóris aumentado de tamanho) com reconstrução da uretra e escrotoplastia (criação da bolsa escrotal através da pele dos grandes lábios) com colocação de prótese testicular.

Complicações Cirúrgicas

Como qualquer procedimento cirúrgico, as cirurgias de afirmação de gênero também podem evoluir com complicações. Descrevemos abaixo as complicações mais comumente relatadas em cada cirurgia:

– Mastectomia: dor, inchaço, infecção local, sangramento, dificuldade de cicatrização e alterações de sensibilidade.

– Histerectomia + salpingoooforectomia bilateral + vaginectomia: sangramento, infecções, lesões do trato urinário e intestinal e eventos trombóticos.

– Masculinização da genitália externa: sangramento, infecções, estenose de uretra, fistula uretral, necrose de tecido.

– – –

Prevenção HIV/AIDS, Hepatites Virais, HPV e outras IST

Como se previnir das IST

O sexo com proteção é a forma mais eficiente de se prevenir, por isso, é de extrema importância que se use preservativo nas relações sexuais, tanto de forma oral, anal ou vaginal. É possível fazer uma barreira protetora utilizando um preservativo peniano. Ela pode ser usada no sexo oral, tanto na vagina como no ânus, evitando que o parceiro(a) tenha contato direto da boca com a genital.

Barreira de Contenção

< >

1 . Abra o preservativo corretamente pelo lado serrilhado;

2. Desenrole-o completamente;

3. Com as pontas dos dedos pressione-o até romper, depois abra-o ao meio com cautela;

4.Use o indicador e o polegar para firmar o preservativo formando a barreira;

 5. Coloque-o em frente a boca, usando a parte de dentro do preservativo, para protegê-la na hora de fazer o oral.

IST

As Infecções Sexualmente Transmissíveis, conhecidas como IST, são contagiosas e as maneiras de transmissão mais frequentes são por meio das relações sexuais desprotegidas. As principais formas de transmissão das IST são:

· As relações sexuais vaginas não protegidas, quando existe o contato direto do pênis com a vagina;

· As relações sexuais anais não protegidas, quando existe o contado direto do pênis com o ânus;

· As relações sexuais orais desprotegidas, quando existe o contato direto da vagina, do clitóris, do pênis ou do ânus com a boca do parceiro sem uma barreira protetora ou de contenção, como, por exemplo, uma feita de látex ou plástico filme. Algumas práticas ou comportamentos podem influenciar no risco de transmissão, como o compartilhamento de brinquedos sexuais, por exemplo. Assim como no toque ou na penetração, que deve ser usado luvas de látex e lubrificantes á base de água, também é preciso utilizar preservativos e lubrificantes nos casos de compartilhar packers e vibradores.

HIV

A sigla em inglês utilizada para nomear o vírus da imunodeficiência humana, que é o causador da aids, é HIV. Esse vírus ataca o sistema imunológico, deixando o organismo com uma baixa imunidade. Ele se multiplica através da alteração do DNA das células. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para propagar a infecção. Portar o vírus do HIV não é o mesmo que ter aids. Existem muitas pessoas vivendo com HIV por anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a aids. É importante lembrar que podem transmitir o vírus a outras pessoas por meio de relação sexual desprotegida. A transmissão do vírus pode ocorrer no contato com sangue, por compartilhamento de seringas contaminadas, fluidos líquido vaginal, de pai para filho durante a gravidez e a amamentação pelo leite paterno quando não são tomadas as devidas medidas d e prevenção, ou por meio de instrumentos que furam ou cortam não esterilizados. O diagnóstico pode ser feito através do teste rápido ou pelo exame laboratorial especifico. Não existe cura para o HIV, mas existe tratamento que é feito a base de antirretrovirais que inibe a multiplicação do vírus no organismo.

Hepatites

 As hepatites são inflamações no gado. Elas podem ser causadas pelo vírus ou pelo uso de alguns remédios, álcool e outras drogas, como também por doenças autoimunes, genéticas e metabólicas. Nem sempre apresentam sintomas, mas quando aparecem podem ser cansaço, febre, mal-estar, enjoo, tontura, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelos, urina escura e fezes clara.

As Hepatites B e C s e desenvolvidas para a fase crônica, causam danos graves ao gado, como cirrose e câncer. Por isso, é importante ir ao médico regularmente e fazer os exames de rotina que detectam a hepatite. No caso das Hepatites B e C, é preciso um intervalo de 60 dias para que os anticorpos sejam detectados no exame de sangue. É variado conforme o tipo de vírus a forma de evolução das hepatites. As causadas pelo vírus B, C e D podem apresentar tanto formas agudas quanto crônicas de infecção, no último caso ocorre quando a doença persiste no organismo por mais de seis meses. Se caso tenha praticado sexo desprotegido, compartilhado seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha, packers, ver do contato com secreções corporais ou o uso de drogas inaladas, podem entrar na zona de contagio por transmissão sanguínea.

HPV

 O Papiloma vírus Humano (HPV) é uma infecção causada por um DNA vírus. Essa sigla denomina um grupo com mais de 100 tipos de vírus. Ele é considerado uma Infecção Sexualmente Transmissível (IST) por ser transmitido no contato pele com pele, mas diferente das outras, não é preciso haver troca de fluídos para que a transmissão ocorra. O vírus atinge a pele e as mucosas, podendo causar verrugas ou lesões precursoras de câncer, como o câncer de colo de útero, garganta ou ânus. Há formas de contagio muito mais raras, como o contato com verrugas de pele (elevações na pele, que ao se unirem, formam massas com aspecto de couve-flor), compartilhamento de roupas íntimas, toalhas e entre outras. Por fim, a transmissão vertical, que pode ocorrer durante o parto.

Em homens trans, pessoas transmasculinas e mulheres cis, as lesões podem se manifestar normalmente na vulva, na vagina, no períneo e no colo do útero. Assim como, no ânus. Na maioria dos casos, não há manifestação aparente. Sua descoberta é normalmente por meio de algum exame de rotina, como o papanicolau, colposcopia, vulvoscopia ou anuscopia. Para evitar o vírus do HPV recomendam-se os seguintes cuidados:

 -Uso de camisinha peniana, para todos os tipos de relações sexuais (oral, anal, genital);

 – Uso de camisinha vaginal;

-Vacina quadrivalente (previne contra o HPV 6, 11, 16 e 18) ou bivalente (contra o HPV 16 e 18);

-Rotina do exame anual preventivo (Papanicolau);

-Evitar fumar, beber em excesso e usar drogas, pois essas atividades debilitam o sistema de defesa do organismo, tornando a pessoa mais vulneráveis ao HPV.

PrEP

Existe um medicamento que previne que uma pessoa que ainda não porta o vírus HIV não o adquira quando administrado corretamente. Esse procedimento é chamado de PrEP, a Profilaxia Pré-Exposição, serviço disponível à população chave e pessoas que e se colocarão em uma situação de possível exposição ao vírus. A PrEP se mostrou eficaz na prevenção, combinando tenofovir e emtricitabina, dois antirretrovirais em um só comprimido. Com o uso continuo da PrEP, a proteção contra o HIV chega a mais de 90%, entretanto é importante lembrar que esse medicamento causa efeitos colaterais que podem não ser constantes. É a partir da combinação de métodos que se pode alcançar o maior nível de proteção. A PrEP não protege de outras infecções que podem ser transmitidas pelo sexo, como HPV, Hepatites e outros, por isso é uma proteção adicional, que deve ser utilizada juntamente com o uso combinado do preservativo.

 PEP

Diferente da PrEP, a PEP é a Profilaxia Pós-Exposição, é um método de prevenção da infecção pelo HIV usando medicamentos que fazem parte do coquetel que é utilizado no tratamento da AIDS , o Zidovudina e o Lamivudina, é ministrado para pessoas que tenham entrado em contato com o vírus recentemente, através da exposição ocupacional, no caso de profissionais de saúde ou pela exposição não ocupacional, no caso da relação sexual consentida ou não. O tratamento é feito durante 28 dias seguidos para que tenha o impedimento da infecção pelo vírus, sempre tendo uma orientação medica. O indicado é que a medicação seja iniciada em até 72 hora s após a exposição. A eficiência da PEP pode decair de acordo com as horas que se passam. Ainda com toda sua eficiência, a PEP não é uma substituta para outros métodos de prevenção d o H I V, como o uso do preservativo, por exemplo. O risco de contaminação nas relações sem proteção aumentam, se:

 · O parceiro for portador do HIV e estiver com uma carga viral detectável;

· Existir qualquer tipo de ferimento ou lesão, esfoliação ou machucado na região genital;

 · Existir, no momento do ato sexual, presença de sangue como, por exemplo, menstruação;

· Um dos parceiros apresentar uma infecção sexualmente transmissível.

Por isso, a melhor opção é se prevenir.

Transmissão vertical

A transmissão vertical acontece do pai gestante, portador de alguma IST, para o feto, seja no útero, na hora do parto ou amamentação. A forma de transmissão e prevenção varia dentre as IST.

É de extrema importância a testagem no primeiro trimestre do pré-natal e anterior ao parto para diminuição do risco de transmissão ou danos ao feto ou recém nascido.

Locais que ofertam os serviços ambulatoriais pelo SUS

Ambulatórios Habilitados :

– PE – Hospital das Clínicas – Universidade Federal de Pernambuco/Recife (PE).

– GO – Hospital das Clínicas de Goiânia – Universidade Federal de Goiás/Goiânia (GO).

– MG – Hospital das Clínicas de Uberlândia – Universidade Federal de Uberlândia/ Uberlândia (MG).

– RJ – IEDE Instuto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione – Fundação Saúde/Rio de Janeiro (RJ).

– RJ – HUPE Hospital Universitário Pedro Ernesto – Universidade Estadual do Rio de Janeiro/Rio de Janeiro (RJ).

– SP – CRT Centro de Referência e Treinamento DST/Aids – Secretaria de Estado da Saúde/São Paulo (SP).

– SP – Hospital de Clínicas – Faculdade de Medicina da USP/São Paulo (SP).

– PR – CPATT Centro de Pesquisa e Atendimento a Travestis e Transexuais – CRE Metropolitano/Curiba (PR)

– RS – Hospital das Clínicas de Porto Alegre – Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Porto Alegre (RS)

Ambulatórios em implementação:

– PA – Ambulatório do Processo Transexualizador – Unidade de Referência Especializada em Doenças Infecciosas e Parasitárias Especiais (Uredipe) e Centro Hospitalar Jean Bitar/Belém(PA)

– PB – Ambulatório de Saúde Integral para Travess e Transexuais – Complexo Hospitalar de Doenças Infectocontagiosas Clemenno Fraga/João Pessoa (PB)

– SE – Ambulatório de Saúde Integral – SE – Ambulatório de Saúde Integral Trans – Hospital

Universitário da Federal de Sergipe Campus Lagarto/Lagarto (SE)

– GO – Ambulatório TX – Hospital Alberto Rassi (HGG)/Goiânia (GO)

– SP – AMTIGOS Ambulatório Transdisciplinar de Idendade de Gênero e Orientação Sexual – IPq Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo/São Paulo (SP)

Referências

Ministério da Saude – Departamento de IST/HIV Aids e HV

hp://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/condilomaacuminado-papilomavirus-humano-hpv

hp://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/previna-se

Inca:

hp://www2.inca.gov.br/wps/wcm/connect/posdecancer/site/home

/colo_utero/hpv-cancer-perguntas-mais-frequentes

SALVHE (Solidariedade e apoio na luta contras os vírus de

hepates/Joinville-SC): Hepates Virais e DST/HIV/AIDS.

HEALTH TIPS for Trans Men and People of Trans-Masculine Experience

– NYC Health

PATIENT’S GUIDE TO TRANSGENDER, TRANS & GENDER DIVERSE

HEALTH – Katja Tetzla, 2015


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